A vida quotidiana das pessoas que partilham a vizinhança com os pesos pesados da indústria. Nomeadamente os camiões, contentores e centrais eléctricas. Mário Antunes mostra o cenário de guerra em que se transformou Santa Cruz do Bispo, Matosinhos…
Alegre e bem-disposto. É assim que Mário Antunes recebe quem quer saber mais sobre Santa Cruz do Bispo. É o seu local de residência há mais de quatro décadas. A sua cronologia mistura-se com a do lugar. Por ele combateu e enfrentou as sucessivas forças políticas que não partilham a sua visão. O tempo provou que estava certo. Actualmente, a sua terra, está esquecida, abandonada por más decisões administrativas que deixaram os moradores – de um sítio pacato, encantador e carregado de história – a partilhar espaços com grandes parques para contentores e edifícios de apoio logístico e uma central eléctrica instalada numa rua principal.
Santa Cruz do Bispo é uma freguesia do concelho de Matosinhos com 3,75 km2 de área e cerca de 5.600 habitantes (fonte INE, 2014). Em 2013, no âmbito de reforma administrativa nacional, formou uma nova freguesia denominada “União de Freguesias Perafita, Lavra e Sta. Cruz Bispo”. À memória ressalta o património histórico do Monte de S. Brás, Homem da Maça e seu bicho, Quinta de Santa Cruz e Ponte Romântica do Carro. Foi escolhida para acolher o “Parque Diversões Raf Park”. Um projecto para reavivar o conceito de feira popular e parque radical. Ideal para os que procuram aventura e adrenalina. O parque abriu portas a 26.06.2012 para fechar quatro meses depois. Várias desculpas foram apresentadas para esconder uma triste realidade: o projecto falhou e o abandono é evidente. O passar dos anos, constantes indefinições políticas e grande força do vandalismo foram implacáveis para com o parque. Completamente pilhado de tudo que tem valor. É assim que o recinto se apresenta. Um foco de perigo para incêndios, dado o crescimento visível de matagal e insegurança para os romeiros do Monte S. Brás.
Desde 2011, o lugar foi escolhido para acolher um projecto megalómano. A plataforma logística teve como objectivo a criação de dois pólos industriais: o Pólo Gonçalves (Sta. Cruz) e o Pólo Gatões (Guifões). Expropriações urgentes, construções desmesuradas e muito dinheiro para desperdiçar. Foi esta a fórmula que modificou o cenário bucólico e o transformou num postal ilustrado da Síria. Hoje é sabido que este projecto falhou redondamente e será quase impossível reparar as cicatrizes territoriais. A via principal de acesso rodoviário – destinado a retirar a circulação de camiões do centro da cidade – termina, ou inicia, na Rua das Escolas (curiosamente construída para acesso à escola). Há passeios para os peões que terminam abruptamente numa parede, obrigando à circulação pela estrada. Há sinalização vertical que é desrespeitada constantemente. E, contudo parece que a conivência das autoridades é um dado adquirido.
Desde 2011, o lugar foi escolhido para acolher um projecto megalómano. A plataforma logística teve como objectivo a criação de dois pólos industriais: o Pólo Gonçalves (Sta. Cruz) e o Pólo Gatões (Guifões). Expropriações urgentes, construções desmesuradas e muito dinheiro para desperdiçar. Foi esta a fórmula que modificou o cenário bucólico e o transformou num postal ilustrado da Síria. Hoje é sabido que este projecto falhou redondamente e será quase impossível reparar as cicatrizes territoriais. A via principal de acesso rodoviário – destinado a retirar a circulação de camiões do centro da cidade – termina, ou inicia, na Rua das Escolas (curiosamente construída para acesso à escola). Há passeios para os peões que terminam abruptamente numa parede, obrigando à circulação pela estrada. Há sinalização vertical que é desrespeitada constantemente. E, contudo parece que a conivência das autoridades é um dado adquirido.
A passagem pela Alameda Infanta Dona Mafalda é quase obrigatória. É o ponto de acesso às novas ruas que foram construídas para o tráfico de trânsito pesado. Baptizada localmente como a “Rotunda da vergonha”, reflecte a falta de capacidade, das entidades responsáveis, em cumprir as mais básicas regras do código automóvel. A Rotunda está pintada no asfalto! Mais depressa se confunde com uma obra decorativa. As passadeiras dos peões terminam no centro da rotunda. Para onde vão? Não interessa. É a política do desenrasque e ausência de responsabilidades.
A visita está terminada. É bem patente a tristeza e amargura do nosso guia. Não é esta a visão que teve há quatro décadas. Não é este o futuro que pretende. Tem muita dificuldade em lutar contra as mentalidades politiqueiras locais que recusam admitir a falha do projecto megalómano de José Sócrates e não têm capacidade administrativa e financeira para devolver alguma qualidade de vida aos moradores cercados pelos contentores, camiões, confusão e barulho ensurdecedor. Mas que cumprem, como qualquer outro, com as elevadas obrigações fiscais.
Enfim, um resumo do que se tornou Sta Cruz do Bispo.
ResponderEliminarPenso que só faltou dizer que com as obras na avenida do aeroporto e o trânsito à ser desviado para a rua de cidres no espaço de 1 ano já assisti a pelo menos 3 acidentes nos quais houve 1 morte e as entidades competentes não se lembram de fazer nada(lombas, semáforos de limitação de velocidade, etc) o que interessa é limitar a circulação a pesados e a rua ter sentido único onde mora o Sr padre.
Fica o sentimento de angústia quando vemos a ex presidente de junta arranjar o "taxo" na câmara e desligar de Sta Cruz
so para atualizar.
EliminarMais 1 acidente hoje
so querem roubar para eles o pobre cada vez mais pobre seu podece roubava eles estes bois e vacas
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